Estava ansioso pela saída dos novos moradores da casa, só para um breve momento me sentir dono dela de novo. Eles saíram e eu fiquei vagando pela casa...até que me deparo com um casal, os únicos que ficaram na casa, de primeira senti raiva (não nego), pensei em fazer algo sobrenatural para assusta-los mas de repente a "menina" dá um simples beijo no "menino", só que algo me deixou surpreso pois naquele simples beijo havia muita paixão. Lembrei do meu passado e esqueci do que eu era hoje. Sentei...Respirei...e depois de muitos anos me senti como se estivesse vivo novamente, tão vivo que cheguei a me sentir um telespectador de um filme de romance e mais do que nunca queria saber como terminava aquela história. Já havia presenciado muitas cenas desse tipo, mas havia algo naquele casal que despertou minha curiosidade, acho que foi a surpresa que me visitou quando vi que ainda existia amor em algum lugar desse mundo ( e a maior concentração estava ali...naquela sala).
Fiquei observando cada detalhe. No começo sentia eles indecisos, apaixonados e até nervosos...ao ponto de não pararem quietos....Um queria demonstrar mais desejo pelo outro. O egoísmo, os tabus, os limites, e pelo visto até a vergonha não existiam mais. De repente aquele menino tinha virado um homem, um homem feroz...apesar da pouca estatura externa por dentro possuía uma força de leão e com essa força agarrou-a (aquela menina também tinha virado mulher), levou-a para seu quarto...pelo visto ele se sentia mais a vontade ali, no seu mundo...agora o mundo deles.
Ambos estavam apenas sem as partes de cima mas ao chegarem em seu quarto - Ele estava certo, as luzes da televisão os incomodavam, mesmo assim ela ficou ligada, dela só se escutava o som, só se escutava a trilha sonora...definitivamente pra mim aquilo era um filme- a vergonha ainda restava na menina tanto que foi a ultima a se despir, ela era teimosa, foi de encontro a sua vergonha e tirou suas vestimentas mesmo assim. Ele não, mas ela transmitia um nervosismo imenso, tudo aquilo era novidade para ela, ele pela fisionomia não percebeu e se percebeu...eu não notei.
Passaram segundos, minutos, apenas se conhecendo..tentaram algo a mais, mas infelizmente não obtiveram resultado, a menina me fez perceber que ela se sentia culpada....algo em seu corpo impediu, Seu corpo respondia o oposto de seu querer...mas algo a deixou impressionada...ela tentou de todo jeito que pelo menos ele sentisse prazer, ....ele não deixou. E mais uma vez (pelo visto) ele a tinha surpreendido.
Ficaram um tempinho só entre olhares.Muitas palavras ditas, nenhuma voz escutada.
Um barulho repentino de porta de carro nos assustou...sim, até eu me assustei. Estava tudo tão bonito que voltar a realidade foi doloroso. Não era nada, porém a menina levantou-se e procurou suas roupas, o medo de ser vista naquele estado a dominava. Agora eu sabia o porquê de todo aquele medo...ela era insegura, tinha vergonha de suas curvas, ela queria ser perfeita pra ele, e olhando pra ele...para os olhos dele...ela era sim perfeita...pena que ela não acreditava. Senti que ela queria ter ficado lá, na cama, abraçada com ele, conversando, rindo pra compensar o momento de silêncio. Mas não era possível, eles não tinham tempo. Foi tão doloroso para eles, que doeu em mim.
Quase nenhuma palavra dita, mas todos os sentimentos expostos. O 'orgulho' de um, o medo do outro não os deixaram dizer as 3 palavras que estavam na ponta de suas línguas.
"Há palavras que nunca são ditas"(8)
Ela precisou ir embora. Ele a acompanhou. Eu os acompanhei.
Quando me dei conta estava fora daquela casa, estava libertado. Por conta deles. Por conta do amor.
A luz surgiu repentinamente para mim....fui de encontro a ela.
Agradeço a menina. Agradeço ao menino. Agradeço aos dois.
O amor nos libertou. Eu, ela e ele. De forma diferente, mas libertou.
// relato de um ex-fantasma perdido.
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